O papel do ensino técnico no desenvolvimento do país

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O profissional técnico faz a economia pulsar, pela natureza prática da sua ocupação e pelo fato de ocupar parte significativa dos postos de trabalho. Não é de se admirar que empresas de todos os segmentos têm buscado estes profissionais incansavelmente, muitas vezes sem sucesso. Estudos recentes indicam que ao menos 60% das empresas tem dificuldades em preencher suas vagas na área técnica.
O preconceito à carreira técnica é algo muito nosso, do brasileiro. Políticas públicas equivocadas, ao longo dos últimos 100 anos, têm criado pressupostos culturais que, em nosso imaginário, tendem a desmerecer o profissional técnico em relação ao de formação superior. O que observamos, entretanto, é que os indicadores de formação técnica no Brasil estão na contramão da maioria dos países desenvolvidos. Enquanto aqui apenas 8% dos alunos do ensino médio optam pela formação técnica, o indicador encontra patamares muito diferentes em países como Alemanha (45%), Finlândia (55%) e Reino Unido (63%).
O segmento de serviços foi o carro-chefe do PIB brasileiro em 2018, respondendo por mais de 75% das riquezas geradas no país, segundo dados do IBGE. Serviços estão intimamente relacionados à formação técnica porque pressupõem o “saber fazer”, a ponta da cadeia produtiva, a interface direta com o consumidor. Fenômenos sociais como o aumento da expectativa de vida, por exemplo, têm demandado cada vez mais ocupações técnicas relacionadas a wellness, saúde e qualidade de vida – nesse contexto, carreiras aderentes à beleza, bem-estar do corpo e cuidados de idosos têm ganhado cada vez mais espaço. A revolução tecnológica que vivemos desde o advento da internet, que galga em velocidade estonteante, tem demandado cada vez mais profissionais com domínio de tecnologias recentes e esta competência tem sobrepujado, com muita frequência, a própria formação acadêmica.
A educação técnica mostra-se uma opção cada vez mais eficaz para a inserção imediata no mercado de trabalho, ao passo que se configura em formação rápida, com menor investimento e, por ser focada na prática, desenvolve competências muito demandadas por empresas de todos os segmentos. Outra característica favorável ao profissional técnico é a abundância de vagas – a área de enfermagem, por exemplo, é composta hoje 80% por técnicos e auxiliares e 20% por enfermeiros, segundo dados do Cofen.
É necessário desconstruir o preconceito histórico e valorizar o profissional técnico. Desenhando uma analogia simples com o corpo humano, os pulmões, órgãos majestosos, não seriam nada sem o batalhão de hemácias para transportar-lhe cada molécula de oxigênio às regiões mais remotas do corpo. Assim são os profissionais técnicos: essenciais ao bom funcionamento e à sustentabilidade das empresas, dos serviços e da economia.

Solan Valente
Coordenador Educacional
TECPUC